terça-feira, novembro 16, 2010

 

BIOGRAFIA DE ELIAS O PROFETA NO MONTE CARMELO

Elias refaz a história e cria um novo começo Elias volta às origens do povo em busca de Deus, refaz a história, cria um novo começo O Profeta Elias 1. Travessia Atravessa o Jordão a pé enxuto(2R 2,8). 2. Deserto Vai para o deserto de Karit e Horeb (1R 17,2;19,1-8). 3. Alimentado no deserto É alimentado com água, carne e pão (1R 17,6; 19,5-8) 4. Longa caminhada Alimentado pela comida de Deus, ele anda 40 dias e 40 noites pelo deserto (1R 18,8). 5. As doze tribos Refaz o altar das doze tribos (1 R 18,30-31) e, no fim, restabelecerá as doze tribos (Ecli 48,10). 6. Partilha Junto à viúva, ele insiste na partilha e, assim, criou abundância (1 R 17,10-16), 7. Encontro com Deus Na Montanha de Deus, Horeb, ele encontra Deus (1R 19,8-13), O Povo no deserto 1. Travessia Atravessa o Mar a pé enxuto (Ex 14,16.22). 2. Deserto Vai para o deserto do Sinai/Horeb. 3. Alimentado no deserto É alimentado com carne, água e pão (Ex). 4. Longa caminhada Alimentado pela comida de Deus, o povo caminha 40 anos pelo deserto. 5. As doze tribos Saindo do Egito, as doze tribos se reorganizaram formaram o Povo de Deus (Núm 1-4) 6. Partilha O maná partilhado criou abundância e garantiu a sobrevivência (Ex 16,1-23). 7. Encontro com Deus No monte Sinai/Horeb, o povo encontra com Deus e nasce como povo (Ex 19.1-9). . Elias refaz a Aliança Elias é o homem da Aliança. É neste ponto da renovação da aliança que a Bíblia coloca todo o peso da ação de Elias. O reencontro com Deus no Monte Horeb é o novo começo para a vivência da aliança. Elias destrói o altar de Baal, junta doze pedras e com elas faz um novo altar, símbolo da renovação da Aliança (1Rs 18,30-32). Renasceu o povo! Elias insiste na observância da aliança e denuncia a infidelidade às suas cláusulas (1R 18,18-21; 19,10). No momento de escolher novamente a Javé como o seu Deus, o povo se comprometeu a observar as cláusulas da aliança como tinha feito no início ao pé do monte Sinai/Horeb (Ex 24,1-8). A lição que o povo do cativeiro da Babilônia encontrou em Elias Na época dos Reis, a denúncia profética enfrentava o próprio Rei e seu sistema, cobrava deles a justiça e criticava a desigualdade social. Depois do cativeiro da Babilônia, o povo perdeu a sua independência e ficou perdido como pequena comunidade étnica no meio do império Persa. Agora, a renovação da Aliança e a luta pela justiça e pela Paz insistem na reconstrução da comunidade ao redor da sua fé em Javé. Devem ser comunidade que não permite desigualdade social. A fé no Deus libertador se expressa concretamente na solidariedade entre irmãos que não admite pobre dentro da comunidade. A comunidade se torna amostra e irradiação do Projeto de Deus. Elias, "homem fraco como nós"(Tg 5,17), mas obediente a Deus, refaz a história do povo. É este mesmo ponto da renovação da aliança que pode ajudar-nos a enriquecer a Tradição Eliana da Família Carmelitana para os nossos dias. 5. Característica: o testemunho orante revela o fogo do Espírito Elias, testemunho vivo de Deus Elias foi reconhecido pela viúva como "Homem de Deus" (1 R 17,24; 2 R 1,9). Ele era um místico. Falava com autoridade, porque sua palavra tinha raiz na vida e tornou-se Palavra de Deus para os outros que, por sua vez, obedeciam a Elias: a viúva de Sarepta (1 R 17,15); Abdias, o chefe do palácio (1 R 18,14-16), o povo (1 R 18,24.30). O próprio Deus passou a ser conhecido como o "Deus de Elias"(2 R 2,14). O testemunho de Elias anima a esperança do povo Naquela seca de três anos, o rei só pensava na vida dos cavalos e dos jumentos; não pensava na vida do povo que morria de fome por causa da seca (1 R 18,5). Jezabel perseguia e matava os profetas de Javé e queria matar o próprio Elias (1 R 19,2). Elias, pela sua oração trouxe de volta a chuva que acabou com a seca (1 R 18,42-45) e animava a esperança do povo defendendo a vida em nome de Deus. Promovendo a partilha, garantiu o alimento para a viúva e sua família (1 R 17,14-16). Ressuscitou o filho da viúva e mereceu o título de "Homem de Deus" (1 R 17,23). Defendeu a causa de Nabot, assassinado pela injustiça do rei e da rainha (1 R 21,17-20). Elias transforma o conflito em fonte de espiritualidade No momento de aceitar a Palavra de Deus, Elias deixa o conflito entrar em sua vida. O conflito nascia de dupla fonte: da situação geral de infidelidade à Palavra de Deus e da vontade de Elias de ser fiel à esta Palavra que o chamava a sair da situação. Elias viveu em conflito permanente, e envolvia outros no conflito. São muitos os conflitos: com a viúva, insistindo na partilha do pão (1 R 17,10-12); com Abdias, o empregado do rei, enviando-o para junto do rei (1 R 18,9-14); com o rei e a rainha, enfrentando-os no Monte Carmelo (1 R 18,16-19) e na vinha de Nabot (1 R 21,17-19); com o povo, desafiando-o a escolher o Deus verdadeiro (1 R 18,20-24); com os profetas de Baal, desafiando-os para o julgamento (1 R 18,25-29); consigo mesmo e com as suas idéias sobre Deus, pois não encontra Deus no vento, no fogo e no terremoto (1 R 19,11-12); com Deus, queixando-se de estar só e perdido, sem saber como continuar a luta (1 R 19,4); com os militares que o desafiavam a comparecer diante do rei (2 R 1,9.11); com Eliseu chamando-o para segui-lo (1 R 18,19-20) e não permitindo que caminhasse com ele (2R 2,2.4.6). Todos estes conflitos são expressão e manifestação do grande conflito básico: caminhar do lugar onde está para o lugar onde Deus o quer Elias, o homem do espírito e do fogo. O livro do Eclesiástico introduz a figura de Elias com estas palavras: "Elias surgiu como um fogo, sua palavra queimava como uma tocha" (Ecli 48,1). Diz ainda que "por três vezes fez descer o fogo do céu" (Eclo 48,3; 2 R 1,10.12). O final da vida de Elias é descrito assim: "Foste arrebatado num turbilhão de fogo, num carro puxado por cavalos de fogo" (Ecli 48,9). O fogo é expressão da ação do Espírito (cf At 2,3-4). O arrebatamento no carro de fogo é realizado pelo Espírito de Javé (2 R 2,16). Abdias diz a Elias: "O Espírito de Javé te transportará não sei para onde" (1 R 18,12). Na opinião do povo, Elias podia ser arrebatado a cada momento pelo espírito de Deus. Elias entrou na história como o homem do fogo e do Espírito! Assim ele aparece no Apocalipse (Apoc 11,5-6.11-12). Elias, o homem da oração. Elias foi capaz de realizar tudo isto porque estava ligado a Deus pela oração: "Vivo é o Senhor em cuja presença estou" (1 R 17,1; 18,15). A oração era o espaço onde experimentava a presença de Deus. A oração de Elias sempre chamou a atenção dos carmelitas. Ele reza de várias maneiras: Ele reza e consegue de volta a vida do filho da viúva (1 R 17,20). Critica a reza dos profetas de Baal (1 R 18,27), e reza, para que Deus se manifeste ao povo no Monte Horeb (1 R 18,36-37). Reza sete vezes e insiste, até que apareça um sinal de chuva (1 R 18,42-43). Reza para que o fogo desça do céu sobre os militares que querem prendê-lo (2 R 1,10.12). Reza queixando-se (1 R 19,10.14) e pedindo a morte (1 R 19,4). Confronta-se com Deus na Brisa Leve (1 R 19,12). 6. Fraquezas e dúvidas pedem discernimento, encontram luz na Brisa Suave A fraqueza aparece na fuga A dimensão profundamente humana da ação profética de Elias se mistura com a mística da noite escura. Ele foge com medo de ser morto por Jezabel, cai debaixo de uma árvore e diz: "Basta, Javé! Quero morrer. Não sou melhor que meus pais!" (1Rs 19,4). Ele só pensa em comer, beber e dormir (1R 19,6).Atravessando o deserto, Elias se aproxima da montanha de Deus, o Horeb (1 R 19,8). Lá ele ouve a pergunta: "Elias, que fazes aqui?" E ele responde: "O zelo por Javé dos exércitos me consome, porque os israelitas abandonaram tua aliança, derrubaram teus altares, mataram teus profetas. Sobrei somente eu, e eles querem me matar também" (1 R 19,10.14). A dúvida se manifesta nas palavras Existe uma contradição entre a resposta e a realidade vivida, entre o discurso e a prática. O olhar de Elias está perturbado por algum defeito que o impede de avaliar com objetividade a realidade tal como ela é. Conforme o discurso, ele está cheio de zelo; mas a prática mostra um homem medroso que foge (1R 19,3-4). Conforme o discurso, ele é o único que sobrou; mas havia sete mil (1R 19,18). Conforme o discurso, ele sabe analisar o fracasso da nação; mas na prática não sabe analisar o seu próprio fracasso. Elias não se dá conta de que sua situação de derrota é o lugar onde Deus o atinge. Qual o defeito nos olhos de Elias? A resposta está na história da Brisa Leve. A escuridão desaparece na noite escura da Brisa Leva A expressão "Brisa Leva" traduz o hebraico: qôl demamáh daqqáh. Literalmente: voz de calmaria suave. A palavra hebraica, demamáh, usada para indicar a calmaria vem de uma raiz, DMH, que significa parar, ficar imóvel, emudecer. A brisa leve indica algo, um fato, que, de repente, faz emudecer, faz a pessoa ficar calada, cria nela um vazio e, assim, a dispõe para escutar; provoca nela uma expectativa. Trata-se de algo que, de repente, fez desintegrar tudo que Elias pensava sobre Deus até àquele momento. Ela indica o impacto de algum fato que o obrigou a uma mudança radical e o levou a uma visão totalmente nova das coisas. Qual foi a "brisa leve"? O texto sugere que foi a descoberta dolorosa de que Javé, o Deus de Israel, já não estava nem no vento, nem no terremoto, nem no raio! (Os sinais tradicionais da manifestação de Deus, cf Ex 19,16). Deus já não era como ele, Elias, o imaginava. Deus se fez presente na ausência! A luz apareceu na escuridão! A voz de calmaria suave é o silêncio de todas as vozes! A "Brisa Leve" é a noite escura da experiência mística; é o sair de si para se encontrar. Ela derrubou tudo e abriu o espaço para uma nova experiência de Deus que, aos poucos, foi penetrando na vida de Elias e o levou a redescobrir sua missão na reconstrução da Aliança. Elias, o homem do deserto. A experiência do deserto marcou a vida de Elias. Ele enfrentou o deserto de Karit (1 R 17,5), o deserto de Beersheba (1 R 19, 4), o deserto de Horeb (1 R 19,8). Deserto, não só como lugar geográfico, mas também como experiência interior. Tanto a profecia como a mística são elementos constitutivos da missão do povo de Deus que se refazem no deserto. O deserto era o lugar da origem do povo, da volta às fontes, onde se recuperavam a memória e a identidade; o lugar para onde o povo escapou para a liberdade, onde morreram os restos da ideologia do faraó, e onde o povo se reorganizou; o lugar da longa caminhada, quarenta anos, onde morreu uma geração inteira; o lugar do murmúrio, da luta, da tentação e da queda; o lugar do namoro, do noivado, da experiência de Deus, da oração. O deserto fez Elias se reaproximar da origem do povo. Os 40 dias lembram os 40 anos. No deserto Elias experimentou os seus próprios limites. Não chegou a perder a fé, mas já não sabia como usar a fé antiga para enfrentar a situação nova. Foi o momento de viver e sofrer a crise do próprio povo. Por isso mesmo, ao superar a sua crise pessoal e ao reencontrar a presença da Deus para si mesmo, ele estava redescobrindo o sentido de Deus para a vida do povo. A experiência do deserto marcou para sempre a vida dos primeiros eremitas do Monte Carmelo. Saindo da Palestina, levaram o deserto consigo, dentro de si. Vivendo na Europa, reencontraram o deserto, não na vida regular dos grandes mosteiros independentes e auto-suficientes, longe das cidades, mas sim na vida pobre dos Mendicantes nas periferias da grandes cidades. 7. Continuidade: horizonte aberto numa comunidade orante e profética Horizonte aberto. A história de Elias não apresenta um projeto pronto a ser implantado. Indica um caminho a ser percorrido na fé, na fidelidade e na criatividade. Caminho que vai aparecendo aos poucos, na medida em que Elias se põe a caminhar: Carit, Sarepta, Samaria, Monte Carmelo, Yisrael, Beersheba, Horeb, Eliseu, Betel, Jericó, Jordão,..... Caminhando, Elias não vê tudo claro, não sabe tudo o que deve fazer, nem tem visão total de todo o projeto de Deus. Ele só vê até à próxima curva. Muitas vezes, não sabe como andar, nem para onde. Só sabe que deve andar. Só enxerga um passo na frente. O resto é neblina, deserto, noite. A palavra se faz clara na medida em que ele tem a coragem de praticá-la. "A luz se faz é na travessia!". Viver no provisório, até o fim. O caminho só aparece caminhando nele. Elias é como Jesus que, a cada momento, faz aquilo que o Pai lhe mostra que é para fazer (cf João 5,30; 8,28). Na medida em que obedece e anda, Elias vai descobrindo o que Deus pede. Descobre aos poucos a sua própria missão, a sua própria identidade. A sua fidelidade, às vezes cega e muda, vai gerando luz para perceber a Palavra que o chama. O começo de um processo de transformação Continuidade da missão na comunidade orante e profética. No monte Carmelo, ele reuniu o povo, refez o altar com doze pedras, renovou a aliança e reconstruiu o povo. Nasce um novo relacionamento entre as pessoas, fundado no relacionamento renovado com Javé, o Deus do povo. Ao redor de Elias foi se formando um grupo de discípulos profetas. Obadias dizia que salvou a vida de dois grupos de 50 profetas quando Jezabel procurava matar os profetas de Javé (1Rs 18,13). No fim da vida de Elias aparecem ao redor dele comunidades de profetas em Betel (2Rs 2,3) e em Jericó (2Rs 2,5.7). Talvez seja por isso que a esperança do povo com relação ao retorno de Elias era a reconstrução da vida em comunidade: "Ele há de fazer que o coração dos pais volte para os filhos e o coração dos filhos para os pais; e assim, quando eu vier, não condenarei o país à destruição total (Ml 3,24; Eclo 48,10cf. Lc 2,17). Eliseu pediu a Elias: "Que me seja dada uma dupla porção do teu Espírito" (2 R 2,9). O Espírito de Elias repousou sobre Eliseu, seu sucessor (2 R 2,15). O discípulos o reconheceram na hora em que Eliseu, usando a capa de Elias separou as águas do rio Jordão (2 R 2,14). A missão continua nas comunidades proféticas e orantes dos profetas e profetisas. A nova experiência de Deus que se irradia a partir de Elias. Elias experimentou a total gratuidade de Deus e da sua presença. Deus se fez presente na Brisa Leve não por mérito de Elias. Pelo contrário! Elias experimentou a presença libertadora e restauradora de Deus no momento exato em que experimentava o seu próprio nada e a sua falta absoluta de qualquer título de glória. Eles deixou Deus ser Deus! Elias pensava ser ele o único a defender a aliança e a causa de Deus (1Rs 19,10). E experimentou que, apesar dos altares destruídos e apesar da aliança quebrada e dos profetas assassinados, a causa de Deus não estava perdida. Pelo contrário! Não é Elias quem defende a Deus, mas é Deus quem acolhe, sustenta e defende o pobre do Elias! É desta certeza de Deus que renasce em Elias a coragem. Ele reencontra o sentido da vida e da luta. Elias experimentou que Deus é livre! Deus não obedeceu a Elias, pois Ele não se manifestou na tempestade, nem no raio nem no tremor da terra. Deus não se sente obrigado a obedecer aos critérios que a Tradição tinha estabelecido para o povo poder reconhecer e controlar a sua presença. Esta liberdade de Deus é a raiz da nossa liberdade e da nossa libertação. Deus não pode ser usado por ninguém, nem pelos profetas de Baal nem pelo profeta Elias. Deus é livre! Esta nova experiência de Deus dá olhos novos, abre um novo horizonte e devolve a Elias a liberdade de ação, a vitória sobre o medo, a vontade de continuar a luta pela causa de Deus em defesa da vida do povo, e dá a ele, ao mesmo tempo, a consciência clara de não ser o dono da luta nem o único a defender a causa de Deus. Concluindo: as várias dimensões da Tradição Eliana 1. Malaquias espera o Homem da Aliança (Ml 3,23-24): 2. Tiago resume-o como Homem da oração (Tg 5,17-18). 3. A tradição rabínica acentua o Homem do deserto 4. O Apocalipse focaliza o Homem do testemunho (Apoc 11,3.5.6) 5. Lucas espera o Homem da aliança que reorganiza o povo (Lc 1,17) 6. Sirach valoriza o Homem obediente à Palavra (Ecli 48,1-11) 7. A Tradição Carmelitana acentua o Homem do Caminho

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